Receber uma nota menor do que esperava na prova discursiva é frustrante. Depois de meses ou até anos de preparação, descobrir que a banca descontou pontos pode gerar a sensação de que não há mais nada a fazer.

Mas a nota da primeira correção não precisa ser automaticamente o fim da discussão.

O primeiro passo é entender exatamente onde e por que os pontos foram perdidos.

Para isso, é fundamental analisar a prova junto com o espelho de correção. Não basta olhar apenas para a nota final. É preciso verificar, critério por critério, o que a banca esperava, o que você efetivamente escreveu e qual pontuação foi atribuída.

Onde normalmente está a oportunidade de recurso?

Em uma análise de prova discursiva, algumas situações merecem atenção:

    • você abordou determinado conteúdo exigido, mas ele não foi pontuado;

    • a resposta apresentada atende parcialmente ao critério, mas recebeu pontuação menor do que poderia;

    • a banca interpretou sua resposta de uma determinada maneira e existe fundamento técnico para demonstrar outra interpretação;

    • determinado trecho da sua resposta pode ser relacionado ao conteúdo previsto no espelho;

    • existe uma possível divergência entre o que foi exigido e a forma como a resposta foi avaliada.

Isso não significa que todo desconto de pontos seja um erro da banca. O recurso precisa ser construído com base naquilo que está efetivamente escrito na prova e nos critérios de correção.

Por isso, simplesmente afirmar que “a banca foi injusta” normalmente não é suficiente.

Um bom recurso precisa responder a uma pergunta muito mais objetiva:

“Considerando o que escrevi e os critérios utilizados na correção, existe fundamento para que minha pontuação seja revista?”

Não olhe apenas para a nota

Outro erro comum é analisar somente a pontuação final.

Imagine, por exemplo, que um candidato recebeu 7,5 pontos. A pergunta não deve ser apenas “será que consigo chegar a 8 ou 9?”.

É preciso descobrir de onde vieram os 2,5 pontos que não foram atribuídos.

Talvez parte da pontuação esteja relacionada a um item que realmente não foi respondido. Nesse caso, pode não haver espaço para discussão.

Mas pode existir outro critério em que o candidato apresentou conteúdo compatível com aquilo que a banca exigia e, ainda assim, recebeu pontuação reduzida ou não recebeu pontuação.

É nessa diferença entre o que foi escrito, o que foi exigido e o que foi pontuado que uma análise técnica pode encontrar uma possibilidade de recurso.

E não é preciso ter uma nota baixa para recorrer

Outro ponto importante: a necessidade de análise não depende exclusivamente da nota.

Um candidato com 6 pode ter uma prova sem fundamento para recurso. Da mesma forma, alguém com 8, 9 ou até uma nota muito próxima da máxima pode encontrar algum ponto tecnicamente discutível.

Em concursos muito disputados, uma pequena diferença de pontuação pode representar posições importantes na classificação.

Por isso, a pergunta mais importante não é:

“Minha nota foi boa ou ruim?”

Mas sim:

“Minha prova foi corrigida de forma que existe algum fundamento técnico para pedir a revisão da pontuação?”

Antes de aceitar a nota, faça uma análise

A ansiedade depois da divulgação do resultado é natural. Mas esse também é o momento em que o candidato precisa agir com racionalidade.

Antes de simplesmente aceitar a nota ou elaborar um recurso baseado em indignação, procure responder:

    1. Onde perdi pontos?

    1. O que a banca exigia naquele critério?

    1. O que eu efetivamente escrevi?

    1. Existe correspondência entre minha resposta e o que era esperado?

    1. Há fundamento técnico para pedir a revisão?

Se a resposta para a última pergunta for positiva, pode valer a pena recorrer.

Se não houver fundamento, também é importante saber disso antes de investir tempo e expectativa em um recurso sem boas chances de sustentação.

Recurso não é tentativa de convencer a banca de que você merecia uma nota maior. É uma argumentação técnica para demonstrar por que determinada pontuação pode ser revista, sempre de acordo com as regras e critérios do concurso.

Nossa equipe trabalha há mais de 15 anos com análise e elaboração de recursos de provas discursivas. Se você recebeu sua nota e quer saber se existe possibilidade de revisão, envie sua prova e o espelho para uma avaliação e descubra se há fundamento técnico para recorrer.

Categorias: Dicas

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